Especialista Alerta: Perda Auditiva Leva ao Isolamento Social e Afastamento de Familiares e Amigos
A audiologista Marta Lima esclarece o impacto emocional do declínio da audição e a importância do diagnóstico precoce para devolver a qualidade de vida.
A perda de audição vai muito além da dificuldade física de ouvir determinados sons. Trata-se de um problema que impacta diretamente a saúde mental, o bem-estar e as dinâmicas sociais. Num alerta recente, a audiologista Marta Lima sublinhou que a perda auditiva não tratada age de forma silenciosa, empurrando o indivíduo para o isolamento social e provocando um doloroso afastamento da família e dos amigos.
De acordo com a especialista, muitas pessoas que começam a perder a audição sentem vergonha ou desconforto por não conseguirem acompanhar as conversas em reuniões familiares, almoços ou ambientes com ruído de fundo. O esforço contínuo para tentar decifrar o que os outros dizem gera um cansaço mental extremo. Para evitar o constrangimento de pedir constantemente que repitam as frases, o indivíduo acaba por optar pela pior alternativa: o silêncio e o isolamento.
O Impacto na Vida Familiar Este distanciamento não afeta apenas quem sofre da condição, mas cria também uma barreira de comunicação com os entes queridos. Diálogos simples do quotidiano transformam-se em mal-entendidos, e a perda da espontaneidade nas relações familiares pode gerar sentimentos de solidão profunda e frustração em toda a casa.
A boa notícia partilhada pela comunidade de audiologia é que este cenário pode ser completamente revertido. O avanço da tecnologia nas soluções auditivas permite hoje que os dispositivos sejam extremamente discretos e inteligentes, focando-se na nitidez da voz humana e reduzindo o ruído ambiente.
Procurar a ajuda de um profissional e realizar um rastreio logo aos primeiros sinais é o passo decisivo para quebrar o ciclo do isolamento. Afinal, a reabilitação auditiva não serve apenas para voltar a ouvir sons — serve, essencialmente, para reconectar as pessoas àqueles que mais amam.


O Peso no Cérebro
Estudos de neurociência revelam que o esforço cognitivo para decifrar palavras num ambiente ruidoso gasta tanta energia que acelera a fadiga mental diária em até 40% em pessoas com quebra de audição.
Risco de Depressão
Uma investigação publicada no Journal of the American Geriatrics Society associou a perda auditiva não tratada a um aumento de 24% no risco de isolamento social e ao desenvolvimento de quadros depressivos em adultos.
7 Anos de Espera
De acordo com os dados da Associação Portuguesa de Audiologistas, uma pessoa demora, em média, entre 7 a 10 anos para procurar ajuda profissional desde o momento em que nota os primeiros sinais de perda auditiva.
"Eu percebia que me estava a isolar. No trabalho, evitava reuniões em salas grandes. Em casa, o meu marido queixava-se do volume da televisão. O aparelho auditivo devolveu-me a espontaneidade. Já não preciso de fingir que ouvi e acenar com a cabeça sem perceber nada. Voltei a rir e a participar na vida real."
Maria M.S., 52 anos, Braga.
"No início, eu achava que as pessoas é que falavam baixo ou resmungavam. Comecei a deixar de ir aos almoços de domingo com os meus filhos e netos porque já não conseguia acompanhar as piadas e sentia-me um estorvo. Quando finalmente fiz o rastreio e coloquei os aparelhos, o choque foi perceber o que estava a perder. São tão pequenos que ninguém nota, e o melhor é que o cansaço que sentia ao fim do dia desapareceu por completo."
António B., 66 anos, Coimbra.
★★★★★
★★★★★
contacto
© 2026. All rights reserved.


